sexta-feira, 14 de setembro de 2007

PELA CALADA DA NOITE

No Tortosendo, pela calada da noite, da mesma forma que a ditadura fascista fazia à propaganda da CDE, que era a oposição democrática ao regime, provavelmente, a mando de ordens superiores, alguém andou nas noites de quarta e quinta-feira dias 12 e 13 a tirar /roubar a propaganda política do PCP que estava em alguns pontos da freguesia. Para além da propaganda retirada foram roubadas sete estruturas metálicas que a suportavam.

Aos que cometeram este atentado e nos querem privar de informar e limitar as nossas liberdades a Comissão de Freguesia de Tortosendo informa-os que não vão conseguir os seus objectivos e aconselhemos que devolvam as estruturas e os respectivos acessórios, aos legítimos proprietários, porque estas foram adquiridas com o dinheiro dos militantes do PCP.

Aos “democratas” por conveniência, que não sabendo aceitar a critica e porque não têm argumentos, ou coragem, de responder publicamente às criticas que lhes é feita, nomeadamente através de Boletins Informativos, de uma forma caciqueira usam os meios da autarquia para danificar e destruir o património legal do PCP.

Os Tortosendenses vão tomar conhecimento deste atentado e, certamente, que vão mostrar a sua indignação e tirar as suas ilações.

Reafirmamos o que dizemos nos Informativos: MANDEM LIMPAR O LIXO E OS CAMINHOS, TENHAM RESPEITO PELA FREGUESIA E POR QUEM OS ELEGEU.

Através dos tempos, principalmente no período mais tenebroso da nossa história recente, os Tortosendenses souberam sempre lutar pela liberdade e a democracia. Não será nos tempos presentes, que alguns mandarins / caciques, nos vão impedir de assim continuar.

CACIQUISMO: Influência exercida por dirigentes partidários à escala local e regional, sobretudo na manipulação de interesses de grupo e mobilizações eleitorais.

in - Dicionário Enciclopédico da Língua Portuguesa.


quarta-feira, 5 de setembro de 2007

INFORMATIVO



















































































Registamos, com agrado, que a denúncia feita no Informativo de Agosto passado e com foto publicada nesta página, contribuiu para a demolição de uma casa nas Machedes que estava a oferecer perigo de ruína eminente.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

CARLOS PINTO. SEMPRE O MESMO - ARROGANTE E COM COMPORTAMENTOS DO TEMPO DA OUTRA SENHORA - DO REGIMO FASCISTA

Câmara arranca pendões e persegue a Festa do Avante

31-Ago-2007

Caciquismo arrogante e tacanhez antidemocrática - eis o exercício do poder pela maioria PSD/Carlos Pinto na Covilhã.

Pela segunda vez em quinze dias, na noite de anteontem, a maioria PSD/Carlos Pinto abusando do poder que os covilhanenses lhe confiaram na Câmara Municipal do concelho, fez arrancar pendões de divulgação da Festa do Avante que estavam colocados junto a um Centro Comercial, em que pontifica o Grupo SONAE.

Trata-se de um acto ilícito, em que o executivo municipal reiteradamente insiste, com a evidente má consciência de que está a violar as leis da República – se assim não fosse interviria no terreno da legalidade e dos tribunais.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

O atrevimento da ignorância





















Falam de Marx e Lenine, mas aparentemente nunca os leram. Quanto mais estudarem-nos...

Pesquisa efectuada. Algumas, muitas, centenas de páginas analisadas. Há que retirar algumas conclusões. E é possível fazê-lo.

Por um lado, a esmagadora maioria dos jornalistas, comentadores e analistas que se pronunciam sobre as posições dos comunistas portugueses acerca da chamada globalização revela um desconhecimento (ou ignorância) atroz. Falam de Marx e Lenine, mas, aparentemente, nunca os leram. Quanto mais estudarem-nos. Referem o PCP, mas sobre os seus documentos escritos e publicados nada. Nem uma linha.

Por outro, o seu atrevimento é directamente proporcional a esse mesmo desconhecimento (ou ignorância). Prosápia não lhes falta. Mas talvez um pouco mais de modéstia não lhes fizesse mal. E de leitura também.

Antes de passarmos aos factos concretos, um esclarecimento adicional. Não aderi à “revolução” semântica dos conservadores e neoconservadores. Nos anos oitenta do século XX, “revolucionaram”, com sucesso, a terminologia política e económica. O capitalismo passou a ser designado como “economia de mercado”. Mais recentemente, trocaram o imperialismo por “globalização”. Só que um homem é um homem e um bicho é um bicho.

“A burguesia não pode existir sem revolucionar permanentemente os instrumentos de produção, portanto as relações de produção, portanto as relações sociais todas”, escreveram profeticamente Marx e Engles no remoto ano de 1848, no seu Manifesto do Partido Comunista. E, algumas linhas adiantem: “A necessidade de um mercado em constante expansão para os seus produtos persegue a burguesia por todo o globo terrestre. Tem de se fixar em toda a parte, estabelecer-se em toda a parte, criar ligações em toda a parte. A burguesia, pela sua exploração do mercado mundial, deu uma forma cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países” (o sublinhado é meu). Este conceito de “mercado mundial” já três anos antes tinha sido referido por ambos os autores no seu livro A Ideologia Alemã. E será repetido, analisado, aprofundado, ao longo dos anos, quer por Marx, quer por Engels.

Em obras como Para a Crítica da Economia Política, Salário, Preço e Lucro (os bloguistas que andam a discutir o poder do mercado deviam ler e estudar duas obras, digo eu), O Capital, Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico e em dezenas de cartas, vai-se desenvolvendo o conteúdo deste conceito. Bem como o papel nele desempenhado pela Internet do século XIX: o telégrafo.

Sessenta anos mais tarde, em 1916, Lenine escreve O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo. Depois de uma análise exaustiva do “mercado mundial” nas novas condições de desenvolvimento do capitalismo no início do século XX, define o conceito de imperialismo. Fá-lo incluindo cinco traços fundamentais: “1) a concentração da produção e do capital levada a um grau tão elevado de desenvolvimento que criou os monopólios, os quais desempenham um papel decisivo na vida económica; 2) a fusão do capital bancário com o capital industrial e a criação, baseada nesse `capital financeiro`, da oligarquia financeira; 3) a exportação de capitais, diferentemente da exportação de mercadorias, adquire uma importância particularmente grande; 4) a formação de associações internacionais monopolistas de capitalistas, que partilham o mundo entre si; 5) o termo da partilha territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes”.

E em Portugal?

“A internacionalização da economia, a profunda divisão internacional do trabalho, a crescente cooperação entre Estados e os processos de integração correspondem, neste final do século XX, a realidades e tendências de evolução não exclusivas do capitalismo. Em função da sua orientação, características e objectivos, tais processos podem servir os monopólios e as transnacionais, ou podem servir os povos. É direito inalienável de cada povo e de cada país lutar em defesa dos seus interesses e direitos” , diz o Programa dos comunistas portugueses.

Em torno do conteúdo e significado do movimento “antiglobalização”, trava-se uma imensa luta política e ideológica. É natural que assim seja.

No seu XVII Congresso, em Novembro de 2004, o PCP afirma na resolução política aprovada: “A nível mais profundo, a ofensiva global do imperialismo é resultado da própria dinâmica do sistema capitalista, cuja natureza exploradora e agressiva não se alterou nas suas características fundamentais. Uma ofensiva que é determinada pelas exigências de reprodução do capital e a corrida ao máximo lucro; pela necessidade de intensificar a exploração dos trabalhadores, tanto nos países periféricos como nos centros do poder imperialista, a fim de satisfazer as exigências da acumulação capitalista e enfrentar a baixa tendencial da taxa de lucro, reduzindo o preço da força de trabalho e enfraquecendo a capacidade reivindicativa de quem trabalha; pela necessidade de alargar o seu domínio a novos mercados, abolindo as restrições à circulação do capital financeiro e à pilhagem por parte das empresas transnacionais; pela necessidade de dominar novas fontes de matérias-primas baratas, com destaque para as energéticas, cujo controlo é decisivo para impor a sua hegemonia; pela vontade de esmagar formas autónomas de produção, comercialização e consumo, não integrados nos circuitos controlados pelas grandes empresas dos centros do imperialismo, que sejam de natureza familiar, pública ou mesmo capitalista”.

E ainda, em jeito de prever e de prevenir a situação actual: “No mercado imobiliário, cujos preços têm vindo a subir a níveis demasiado elevados, subsistem riscos de um ajustamento abrupto com consequências de expressão mundial”. Em Novembro de 2004!!! Algum dos “críticos” tinha lido isto?... Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação

Por: António Vilarigues

Público,20/08/07

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

A FESTA, DO AVANTE,CLARO.

Veja todos os filmes sobre a Festa do Avante!(clique aqui)
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Os Artistas da Festa

O programa cultural da 31.ª edição da Festa do Avante! foi apresentado ao público. Tema em destaque é a evocação do 90.º aniversário da Revolução Socialista de Outubro, na Rússia, patente em vários espaços da Festa e celebrada com a Cantata Outubro, de Prokofiev.Outro merecido destaque vai para a vida e a obra do músico comunista Adriano Correia de Oliveira, por ocasião da passagem dos 65 anos do seu nascimento.
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31ª Festa do «Avante!»



Na conferência de imprensa de apresentação daquela que é a maior iniciativa político-cultural de massas do nosso país, a 31ª edição da Festa do «Avante!», Alexandre Araújo, do Secretariado do PCP, sublinhou que a Festa «é o resultado do esforço e dedicação de militantes e simpatizantes do PCP de todas as gerações, que em cada ano recriam um espaço de convívio, de reflexão, de reencontro, de amizade, camaradagem e solidariedade que lhe confere uma identidade única e constitui o seu mais forte capital de atracção».
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Compra já a EP da Festa



A Festa do «Avante!» 2007 tem lugar nos dias 7,8 e 9 de Setembro, a EP - Titulo de Solidadriedade já se encontra à venda nos Centros de Trabalho do PCP, no valor de €18,00Inscreve-te nas excursões à Festa, no centro de trabalho do PCP mais próximo.
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«Avante!»: o Jornal que dá nome à Festa



O Jornal «Avante!» acompanha, semanalmente, a construção e as iniciativas de preparação e de promoção da festa do «Avante!»Edição nº 1758, de 09/08/2007 Edição nº 1757, de 02/08/2007 Edição nº 1755, de 19/07/2007Edição nº 1753, de 05/07/2007Edição nº 1752, de 28/06/2007Edição nº 1751, de 21/06/2007

Palco Novos Valores



Associando a cultura à luta juvenil, o Palco Novos Valores da Festa do «Avante!» projecta todos os anos novas bandas músicais que, de outra forma, teriam grandes dificuldades em dar a conhecer o excelente trabalho que realizam. Após vários concertos em cada região de todo o país a que milhares de jovens assistem todos os anos, é na Cidade da Juventude (Espaço da JCP) que muitos novos valores da música portuguesa se dão a conhecer aos muitos milhares de visitantes da Festa do «Avante!» Ficha de inscrição, regulamento e calendário
Desporto na Festa



São muitas as actividades desportivas que vão decorrendo durante os meses que antecedem os dias da Festa do «Avante!». São torneios de várias modalidades que servem para promover a prática desportiva e a Festa.Programa do Desporto - Festa do «Avante!» 2007Iniciativas desportivas de promoção Festa do «Avante!» 2007Nota de Imprensa sobre provas de promoção da Festa do Avante! 2007
Jornada de Trabalho

As jornadas de trabalho na Festa do «Avante!» 2007 começam a 16 de Junho, Sábado. Informa-te no Centro de Trabalho do PCP mais próximo. PARTICIPA!
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XV Bienal da Festa do “Avante!”

A XV Bienal da Festa do “Avante!” terá lugar nos dias 7, 8 e 9 de Setembro de 2007, na Quinta da Atalaia, como parte integrante do programa da grande Festa que lhe dá nome.Aqui encontra o regulamento para participar.
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Grafismos e Som - Festa 2007

Já se encontram disponiveis os Grafismos e os Sons da Festa do «Avante!»

Programa - Palco 25 de Abril - 6ª feira (7de Set)

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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Os Grupos Económicos Ontem e Hoje

Contextos diferentes um mesmo papel

Escrito por José Alberto Lourenço
01-Jul-2007

No âmbito da Conferência Económica e Social do nosso Partido, um dos desafios que se nos é colocado, consiste no estudo do comportamento dos grandes grupos económicos nacionais nas últimas décadas.
Vários documentos do Partido foram ao longo dos anos caracterizando a forma como os grandes monopólios beneficiaram das condições políticas objectivas que o Governo fascista lhes proporcionou.
Com a revolução, e num curto espaço de tempo, foi possível, através das nacionalizações, colocar o poder económico ao serviço das populações, mas logo de seguida iniciou-se um processo de privatizações que lentamente permitiu às grandes famílias reapossarem-se do poder que a revolução, e bem, lhes tinha retirado.
Neste breve artigo pretendemos não só abordar de forma sintética toda esta evolução dos grupos económicos monopolistas, como com os elementos disponíveis mostrar a sua actual estratégia.
Este é um trabalho que ainda não está concluído. Continuamos a recolher elementos, o que não tem sido fácil dadas as múltiplas formas que os grupos económicos têm de se expandir, mas de qualquer modo iremos procurar deslindar a teia que eles vão urdindo.

A génese dos grupos económicos

O desenvolvimento do capitalismo em Portugal foi profundamente marcado pela existência durante quase meio século de um regime de repressão e violência ao serviço do grande capital e dos grandes proprietários.
A centralização e a concentração capitalistas e a formação e dominação do capital monopolista tiveram como característica particular terem sido aceleradas e forçadas pela intervenção coerciva do Estado fascista.
No caso português a intervenção do Estado fascista acelerou o desenvolvimento económico capitalista, o qual em condições normais deveria passar da concorrência à concentração e desta ao monopólio.
O governo fascista através do agravamento da exploração dos trabalhadores, da fixação dos preços, do crédito selectivo, dos avales do Estado, da política degressiva, das isenções ao grande capital e do agravamento da carga fiscal sobre as pequenas e médias empresas, apoiava inequivocamente as grandes empresas na sua vontade de concentração.
Da mesma forma através do condicionamento industrial, de toda a espécie de concessões e direitos preferenciais foram criadas condições para que da concentração se pudesse passar ao monopólio.
Desta forma foi possível que o capital financeiro, como resultado da fusão do capital bancário com o capital industrial se tornasse dominante e que os grupos económicos monopolistas se formassem, se desenvolvessem e alargassem a sua influência a toda a economia, isto embora o desenvolvimento do processo de industrialização não o justificasse ainda.
Podemos dizer que no nosso país os grupos económicos monopolistas, embora num quadro diferente, beneficiaram de todas as condições que lhes foram propiciadas pelo governo fascista para atingirem essa mesma posição.
Foi assim que um ano antes da revolução em 1973, a nossa economia era dominada por 7 grandes grupos monopolistas: CUF, Champalimaud, Espírito Santo, Português do Atlântico, Borges e Irmão, Nacional Ultramarino e Fonsecas & Burnay. Nuns casos o capital financeiro formou-se pelo alargamento à banca de sectores industriais, casos da CUF e Champalimaud, noutros é a banca que atrai o capital industrial, casos do Espírito Santo, Português do Atlântico, Borges e Irmão, Nacional Ultramarino e Fonsecas & Burnay.

A Revolução de Abril e a nacionalização dos grupos económicos

Com a revolução e como resultado da agudização da luta de classes, que opunha o avanço da revolução portuguesa aos grupos monopolistas, tornou-se inevitável proceder-se à nacionalização da banca e dos sectores básicos da economia. A sabotagem económica e as dificuldades de toda a ordem criadas à economia nacional pelos grandes senhores dos grupos capitalistas, as fraudes e abusos que cometiam nas empresas tornaram um imperativo a aceleração das nacionalizações.
No final do 1.º semestre de 1976 eram 245 as empresas nacionalizadas, entre as quais se encontravam 24 bancos e outras instituições de crédito, 36 companhias de seguros, 16 de electricidade, 5 de petróleos, 8 de fabricação de produtos minerais não metálicos, 1 de fabricação de vidro, 1 da industria do ferro e do aço, 2 de construções de material de transportes, 2 mineiras, 4 de produtos químicos, 6 de celulose e papel, 5 de tabaco, 7 de bebidas, 8 de pesca, 1 de agricultura, 96 de transportes terrestres, 8 de transportes marítimos, 1 de transportes aéreos, 10 de cinema e televisão, 4 editoras e tipografias.

A contra-revolução e a restauração dos grupos económicos

Entretanto o processo contra-revolucionário iniciado com o VI Governo Provisório ganha um outro fôlego com a adesão à CEE em 1986, de tal forma que em 1989 se inicia o processo de privatização e consequente restauração dos grandes grupos monopolistas.
Como resultado da financeirização da nossa economia, nos primeiros anos a quase totalidade das privatizações dá-se nos sectores da banca (Banco Totta e Açores, Banco Português do Atlântico, Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, Banco Fonsecas & Burnay, Crédito Predial Português, Banif, União de Bancos Portugueses, Banco do Fomento Exterior, Banco Pinto e Sotto Mayor), e dos Seguros (Aliança Seguradora, Tranquilidade, Bonança, Mundial Confiança, Império).
A venda das empresas nacionalizadas ligadas a sectores estratégicos como o sector energético (Petrogal), o sector das telecomunicações (Portugal Telecom), o sector do cimento (Secil, Cimpor), o sector da pasta de papel (Portucel e Soporcel), o sector eléctrico (EDP), o sector químico (Quimigal, Companhia Nacional Petroquímica), avançaria de seguida, logo que efectuados pelo Estado os investimentos de que estas empresas careciam para serem apetecíveis pelos grandes interesses económicos privados.
Nos últimos dezassete anos as operações de privatização efectuadas pelos vários governos de direita (PSD, PS, PSD/CDS-PP e PS) já ultrapassaram a centena, tendo permitido ao Estado português arrecadar de receitas, a preços constantes de 2005, 31,8 mil milhões de euros, cerca de 22% do PIB, mas claro se levarmos em conta o valor das empresas privatizadas, se alguém se pode vangloriar dos negócios efectuados não é o Estado certamente, mas sim os grandes grupos económicos que após a nacionalização das suas empresas, grande parte delas descapitalizadas, endividadas e sem viabilidade económica, as recebem agora em boas condições de rendibilidade de tal forma que são já motivo de cobiça dos grandes monopólios internacionais (banca, energia, telecomunicações, comunicação social, etc.).

Os grupos económicos hoje

De acordo com o Anuário Estatístico de Portugal referente a 2005, existiam em Portugal em 2004, 128 grandes grupos económicos, os quais tinham como actividade económica principal a indústria transformadora (48), o comércio por grosso e a retalho (25), os transportes armazenagem e comunicações (13), a construção (12), as actividades financeiras (12) e as actividades imobiliárias (7) - ver quadro.
Grandes grupos económicos por actividade económica principal, segundo os escalões de empresas participadas
Unidade: N.º






Empresas participadas
Total
menos de 10
≥ 10 e < 50
≥ 50 e < 100
Mais de 100
Portugal





2004
128
24
81
14
9
C - Indústria Extractivas
1
1
-
-
-
D - Indústrias Transformadoras
48
11
31
3
3
E - Produção e Distribuição de Electricidade, de Gás e de Água
3


1
1
1
F - Construção
12
1
6
3
2
G - Comércio por Grosso e a Retalho
25
2
20
2
1
H - Alojamento e Restauração
4
3
1
-
-
I - Transportes, Armazenagem e Comunicações
13
3
9
-
1
J - Actividades Financeiras
12
2
6
3
1
K - Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Empresas
7
1
5
1
-


3
-
2
1
-
© INE, Portugal, 2006, Anuário Estatístico de Portugal 2005/
Fonte: INE, Ficheiro de Unidades Estatísticas (FUE)





A esmagadora maioria destes grandes grupos económicos, são sociedades anónimas (119) e 35,2% surgiram antes de 1990, 32% entre 1990 e 1995 e os restantes 32,8% foram criados nos últimos 10 anos.
Se é verdade que destes grandes grupos económicos quase 70% incluem no seu seio empresas estrangeiras, também é verdade que em todos os grandes grupos económicos com mais de 50 empresas participadas no seu seio, se verifica sempre a presença de empresas estrangeiras, ou seja quanto maior é o número de empresas participadas de cada grande grupo económico, maior a probabilidade da presença de empresas estrangeiras.
No final de 2005, a análise dos maiores grupos económicos nacionais mostra-nos que os grupos com lucros mais elevados, com um valor superior a 250 milhões de euros, são apenas doze e incluem, os cinco maiores grupos financeiros - CGD, BCP, Santander Totta, BES e BPI; os dois maiores grupos económicos ligados ao sector energético - EDP e Galp Energia; um grupo económico ligado às telecomunicações - PT; um grupo ligado às telecomunicações e ao comércio a retalho - SONAE; um grupo ligado à construção e concessão de auto-estradas - BRISA; e apenas dois grupos económicos ligados predominantemente à actividade produtiva, produção de cimentos, papel e pasta de papel - Semapa e Cimpor.
Este conjunto de grupos económicos ao mesmo tempo que a nossa economia crescia a um ritmo praticamente nulo em relação a 2004 (+ 0,4%), viu crescer o seu volume de negócios no mesmo período 16,5% e os seus lucros atingirem os 5,7 mil milhões de euros - 3,7% do PIB.
Como se isto não bastasse a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários publicou no início do passado mês de Maio um estudo efectuado junto das empresas cotadas em bolsa, o qual revela que entre 2000 e 2005, as remunerações dos órgãos de administração das empresas cotadas em bolsa, mais do que duplicaram, tendo mesmo triplicado no caso das empresas do PSI 20.
Significou isto que os Conselhos de Administração e as Comissões Executivas dos Bancos receberam, em média, 9,7 milhões de euros a título de remuneração em 2005, enquanto nas empresas não financeiras esse bolo foi de 2,4 milhões de euros. De notar que no caso da banca a remuneração dos banqueiros está muito associada aos resultados atingidos anualmente, representando a remuneração fixa apenas 50% daquilo que recebem. Isto justificará certamente muitas das chamadas engenharias financeiras que por ali se fazem anualmente.
A evolução tão díspar entre grande parte das empresas cotadas em bolsa e o restante tecido produtivo nacional, espelha uma das características mais marcantes da evolução da nossa economia nos últimos anos, o seu carácter dual - enquanto o sector produtivo fornecedor dos chamados bens transaccionáveis vem evoluindo a ritmos de crescimento muito baixos, próximos de zero, o sector dos bens não transaccionáveis - sector financeiro, sector da energia, sector imobiliário, sector das telecomunicações, sector dos serviços - cresce a ritmos elevados e reproduz lucros sobre lucros. Este último sector cujas empresas mais significativas, estão cotadas em bolsa e integram o PSI 20, com excepção da CGD, conheceu nos últimos cinco anos uma elevada capitalização bolsista que fez duplicar o seu valor.
Resulta daqui um preocupante e cada vez maior défice externo, que retrata o nosso permanente desequilíbrio da balança comercial de bens e serviços e que faz com que a nossa dívida externa líquida, tenha passado de cerca de 10% do PIB em 1996, para cerca de 80% do PIB em 2006.
Nesta situação, com as famílias e as empresas endividadas - o endividamento das famílias atingiu no final de 2006 os 124% do seu rendimento disponível e o endividamento das empresas 104% do PIB - com a poupança nacional a atingir o valor mais baixo da UE 27, 12,2%, para uma média da UE 27 de 22,2%, as necessidades financeiras das famílias e das empresas são satisfeitas pelo recurso ao endividamento externo, o qual significa em muitas situações a posse de grande parte dos activos dos grandes grupos económicos nacionais por parte de capitais estrangeiros. É isto, que já hoje acontece na EDP, na Galp Energia, na PT, no BPI, no BCP, no Santander Totta e em muitos outros grupos económicos, o que tem como resultado mais visível o volume de rendimentos que no final de 2006 saíram do país, como remuneração desses capitais, o qual atingiu os 15 mil milhões de euros, 10% do PIB deste ano.
Esta é sem qualquer dúvida uma situação insustentável a médio longo prazo, já que ela nos coloca nas mãos dos capitais externos e no limite põe em causa a nossa soberania.
Como dizia um economista da nossa praça, a grave situação de défice externo que vivemos, é hoje mais um problema político que económico, já que se as principais empresas estiverem nas mãos de capitais estrangeiros, no momento em que esses grupos tiverem que decidir a realização de investimentos, certamente que não serão os nossos interesses nacionais que os determinarão.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

CARLOS PINTO E JOAQUIM MATIAS CONDENADOS

CARLOS PINTO E JOAQUIM MATIAS CONDENADOS

COM QUE ENTÃO SÃO SÓ AMENDOINS!

ESTE É OUTRO PROCESSO.ESTE É DO TRIBUNAL DE CONTAS, POR RECLASSIFICAÇÕES/PROMOÇÕESE CONTRATAÇÕES EM REGIME DE AVENÇA ILEGAIS.

NEM COM O DOSSIER DO PRIMEIRO SE SAFA. SE O TEM QUE O LEVE AO MINISTÉRIO PÚBLICO. "QUEM NÃO DEVE NÃO TEME" NEM ESCONDE DOSSIÊS, PARA QUÊ ?

AGORA JÁ SE ENTENDE PORQUE RAZÃO O MATIAS FOI "RECLASSIFICADO" PARA VEREADOR SEM PELOUROS E O MOTIVO PORQUE O PINTO ANDA TÃO NERVOSO E APAVORADO AO PONTO DE METER A "CÔCA" DO DOSSIER.

QUE NOS IRÁ RESERVAR O FUTURO?

O OUTRO PROCESSO DA IGAT ESTÁ EM MOVIMENTO.ESPERAMOS RESPOSTAS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA COVILHÃ.

ESPERAMOS,TAMBÉM, QUE A IGAT CONCLUA A OUTRA PARTE DO PROCESSO, AQUELA ONDE EXISTEM ASPECTOS DE RELEVÂNCIA CRIMINAL, E QUE,POR AQUELE MOTIVO, AINDA NÃO FOI DIVULGADA, DE ACORDO COM O PARECER FINAL DA IGAT.

PARA CONHECER O PROCESSO E OS MOTIVOS DA CONDENAÇÃO CONSULTE:

Julgamento - Câmara Municipal da Covilhã



Acórdão nº 2/2007 - 3ª SecçãoSentença recorrida

Sentença 3/2007 - 3ª Secção1ª Instância

Relatório de Auditoria nº 1/2004 - 1 ª Secção

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sem brilho















(clique para ampliar)

Passavam pouco mais de 15 minutos das 11 horas da manhã desta segunda-feira e já reinava uma certa impaciência na corte de ministros, secretários de estado e comissários europeus, que aguardavam por Sócrates e Barroso para a habitual foto de família que assinalará a Presidência Portuguesa da União Europeia.Junto ao belo edifício da Alfândega do Porto, tendo como pano de fundo o eterno Douro, tão proeminentes e anafadas figuras entretinham-se em salamaleques, ao mesmo tempo que limpavam o suor das testas luzidias que estorricavam ao sol. Eis que enfim chega o casal do momento para o tão aguardado retrato.Qual conjugação dos astros, qual conspiração da natureza, qual prenúncio dos tempos, não é que uma nuvem, daquelas que carregam o céu e que agoiram a terra, decidiu aparecer, escurecer o dia e retirar o brilho daquele momento que se queria para a posteridade?O governo PS bem gostaria de uma presidência portuguesa iluminada pela providência, para concretizar o programa de agravamento do carácter federalista, neo-liberal, militarista da UE. Aliás, é esse o mandato que aceitou cumprir numa obediência cega ao Capital e às grandes potências, de costas viradas para o Povo português e para os problemas reais do país. Querem impor novamente uma Constituição Europeia (que já foi derrotada) e que arrasa com o quadro de direitos dos trabalhadores e com muitos dos aspectos da soberania nacional de cada Povo e de cada Estado.Mas sobre toda a Europa, e particularmente sobre Portugal, pesam os problemas do desemprego, da exclusão social e da pobreza. Agravam-se as desigualdades entre Estados e no seio de cada país. Avançam com toda a força as privatizações nos transportes, nas comunicações, na energia, mas também na saúde, no ensino e na segurança social. Generalizam-se as políticas antidemocráticas e militaristas. A Europa do Capital, a Europa de Sócrates e Barroso é cada vez mais desigual, injusta e cruel.Se esperavam que o Povo português se deixasse embriagar pelo desfilar de figurões, de cimeiras e pelos holofotes que a comunicação social incidirá sobre a «presidência», aplaudindo embasbaco o espectáculo, então estão enganados. Sócrates já está avisado – ainda há pouco mais de um mês viu um milhão e 400 mil trabalhadores em greve geral – e Barroso não esquecerá tão depressa como foi corrido do país. Quanto aos restantes, se ninguém os informou ainda, ficam a saber que este Povo tem profundas tradições de luta, que sabe o que é resistir e vencer e que conta com um Partido ao seu lado, determinado em dar a volta a isto.
De: Vasco Cardoso

domingo, 1 de julho de 2007

CHEIRA AO MEDO DO “ANTIGAMENTE”…



Amigos,

Às vezes temos mesmo de dizer o que nos vai na alma. Foi o que fiz.Sinceramente, nunca me senti tão incomodado com este odor fascista que paira no ar. Ou rapidamente enterramos o cadáver ou dá-me ideia que acoisa tende a piorar. Enviei este texto para alguns jornais, não seise sai em algum, se não sair, paciência, divulgo assim, "à unha". O actual governo, presidido por Sócrates, é violento. Não como outros que o foram antes. Quem não recorda, por exemplo, a violência cavaquista patente, pelo menos, em dois momentos inesquecíveis em que colocou na rua a polícia para reprimir manifestantes: uma vez, no tão célebre quanto triste episódio dos “secos” e “molhados” em que a polícia carregou sobre a polícia; outra vez foi a repressão na Ponte 25 de Abril contra quem contestava o aumento das portagens.
Era a violência física usada para que não restassem dúvidas sobre o poder de quem o detinha. Uma violência que, dada a visibilidade, chamava outros ao protesto nem que fosse para contestarem a própria violência. Contestar, na altura, custaria, quanto muito, o susto de ter de fugir à polícia, mas, para isso, bastava um pouco de argúcia e alguma preparação física.
Hoje é diferente. A polícia não actua da mesma forma. Mostra-se ao longe, identifica (de preferência sem dar muito nas vistas), anda à paisana e usa câmaras de filmar. Porém, embora a polícia se mostre menos, a violência existe talvez mais perversa, pois não deixa nódoas negras na pele. É a outra violência, a que sem deixar marcas exteriores ainda dói mais, aquela que semeia o medo e, dessa forma, contribui para que atinja os seus objectivos quem dela se serve.
Casos com o da DREN/Charrua, o da ex-delegada de saúde de Vieira do Minho, o do autor do blogue Portugal Profundo, as ameaças aos potenciais aderentes à Greve Geral ou o fortíssimo ataque que está a ser movido ao movimento sindical e aos seus dirigentes são sintomáticos do tipo de violência que procura instalar-se e que contribui para a generalização do sentimento de medo.
É o medo de falar, de dar a cara, de denunciar publicamente, de dizer as verdades, de protestar, até de comentar criticamente nem que seja à mesa do café. Sim, porque agora há, de novo, os bufos. E os bufos podem estar na mesa do lado, na secretária em frente, na esquina da rua… bufam para se prestigiarem diante do poder e, talvez assim, garantirem um bom futuro, apesar da sua mediocridade. E é neste caldo de cultura que vai crescendo o medo. O medo do processo disciplinar, do sinal vermelho no registo biográfico, do traço azul no texto, do esfumar da progressão na carreira, de perder o emprego e, assim, a casa, o carro, o futuro dos filhos…
Sócrates há dias, com o seu ar presunçoso, sorria junto de quem o contestava e, para as câmaras da televisão, informava o país de que era um “político democrático”, não fosse o país ter disso dúvidas. Mas será democrático o líder de um governo que fez regressar ao país a intolerância política, o delito de opinião, a violência que semeia o medo?!
Evitar que o medo se instale de vez é exigência que se coloca a todos os que acreditam nos valores democráticos. Nestas circunstâncias, lutar contra o medo não é só um direito que nos assiste, é um dever que se impõe a todos nós. É necessário que, sem medo, enxotemos os ditadorzecos que certas conjunturas promovem. Políticos que, ilegitimamente, abusam do poder que legitimamente conquistaram. São os salazarentos deste início de século XXI, sapato de verniz em vez de botas, que nem marcelentos merecem ser considerados.
Desconheço se um dia cairão de alguma cadeira, mas do poder tombarão sem glória, pois apenas os heróis são glorificados pelo povo. Quem ataca e fere os que menos têm e menos podem, jamais merecerá glória. Desses, o povo costuma dizer que “Deus nos livre deles!”, mas depois é o próprio povo que perde a paciência de esperar a intervenção divina e deles se livra. Estou convencido que será assim de novo…

Mário NogueiraProfessor, Coordenador do SPRC e Secretário-Geral da FENPROF

terça-feira, 26 de junho de 2007




Um novo rumo para a Serra da Estrela
Covilhã, Seia, Gouveia, Manteigas, Oliveira do Hospital, Aguiar da Beira, Fornos de Algodres, Celorico da Beira, Guarda, Belmonte e Fundão, 11 concelhos, 236 freguesias, 222.017 residentes, recursos endógenos assinaláveis (naturais, humanos e socioculturais), mas degradação da situação económica, social e ambiental, depressão, desemprego (cerca de 20%), envelhecimento, desertificação, pobreza, atraso e divergência face à Europa, inter e intra regional - eis a Serra da Estrela.A situação a que se chegou é o resultado da política de direita prosseguida há muito, de concentração capitalista, neoliberal e monetarista, e das medidas erradas, injustas e socialmente predadoras.E os 28 meses de Governo PS/Sócrates mais não foram que continuidade e agravamento destas políticas.Os embustes de SócratesNas legislativas de 2005, José Sócrates, candidato por Castelo Branco escreveu, preto no branco, no seu manifesto, «conheço bem os problemas do interior (…) Comigo, um governo do PS acabará com o ciclo do abandono do interior e do mundo rural (…) a nossa região verá recomeçar o investimento (…) o crescimento económico passará a ser uma prioridade clara, para combatermos o desemprego e construirmos um País mais justo e mais próspero».No manifesto eleitoral criticava-se violentamente o «completo abandono» a que 3 anos de PSD/CDS tinham votado a região e enumeravam-se os serviços públicos encerrados; leia-se a indignação: «foi ainda tentada a extinção da Maternidade de Castelo Branco».E mais, «o PS tem um compromisso com o interior e vai cumpri-lo (…) coloca a coesão social e territorial como um dos pilares da política que vai prosseguir». Blá, blá!Mas tudo isto eram embustes sem vergonha e falsas promessas a granel.José Sócrates sabia bem que não era possível ter como eixo da sua política os critérios do défice e o serviço dos grandes interesses e, ao mesmo tempo, inverter as políticas do PSD/CDS.Tinha tudo preparado, sabia como ia acusar a direita dum défice «não previsto» (os famigerados 6,83%) e partir dessa treta para a política deplorável com que estava comprometido.Sócrates e o PS montaram este embuste indecente e o resultado não podia ser senão o que está à vista, neste caso na Serra da Estrela.É a destruição dos serviços públicos, o encerramento de dezenas de escolas básicas - por exemplo em Gouveia - de urgências - no Fundão – SAPs diversos, valências hospitalares - em Seia - e da Maternidade da Covilhã, que se prepara para concretizar à sorrelfa e com a ajuda dumas quantas mistificações e manobras de baixa política. É o encerramento de serviços da Agricultura, na Justiça e noutros Ministérios e o desmantelamento do Parque Natural da Serra da Estrela. Mas que, em muitos casos, têm sido impedidos ou atrasados pela luta das populações, que vai continuar e alargar-se.É a política de mão-de-obra barata, de degradação de direitos laborais, salários e pensões e de polarização da riqueza. É o cerco e falência dos micro, pequenos e médios empresários, que pagam o dobro de IRC das empresas do PSI20 e um IVA e preços da energia absurdos. São as deslocalizações, a destruição do tecido produtivo e a substituição da produção nacional pelas importações (e a dívida externa sem controlo), o desinvestimento, a estagnação económica, o aumento das assimetrias e do abandono da região.No caso da Serra da Estrela, José Sócrates tem de ser duplamente responsabilizado pela situação. Porque é primeiro-ministro – claro! – e porque foi eleito deputado na região, prejudicando-a gravemente e mentindo premeditada e grosseiramente.A alternativaNo quadro da preparação da Conferência Económica e Social, o Partido, num Encontro regional, definiu a alternativa para a Serra da Estrela, ponto de partida para o desenvolvimento integrado - factor de justiça social -, e sustentado, do ponto de vista económico, social, cultural e ambiental.A Serra da Estrela precisa de uma ruptura com a política de direita e de novas orientações progressistas – económicas, orçamentais e fiscais, na área social, cultural e científica. Reclama capacidade produtiva e qualificação do território, das pessoas e das organizações, para superar as dificuldades estruturais. Carece de inovação e avanço tecnológico, nos novos produtos e em defesa das produções tradicionais. Reivindica meios financeiros e investimentos. Exige uma nova vontade política, sustentada na regionalização – uma nova governância, uma autoridade para a Serra da Estrela que promova o primado do interesse público, «pense» a serra numa lógica de integração e seja factor determinante do seu desenvolvimento sustentável.Um novo rumo para a Serra da Estrela contra o fatalismo e as inevitabilidades. Com os trabalhadores e as populações. Com determinação e confiança no futuro.

De: Carlos Gonçalves

No Avante

sexta-feira, 22 de junho de 2007

















Nota Final

“Estas são as propostas do PCP para a Serra da Estrela e que constituem elementos de reflexão e ponderação para a construção da política alternativa que é necessária e urgente para esta Região e para Portugal.
Esta política que aqui se traduz num Novo Rumo para a Serra da Estrela, é necessária e urgente e é possível. Corresponde às grandes aspirações e sentimentos democráticos do nosso povo e aos princípios mais fundamentais do projecto constitucional que resultou da Revolução de Abril – um desenvolvimento sustentado, que crie bem-estar e justiça social e seja factor de transformação e progresso humano e civilizacional.
Para a sua concretização o PCP mobilizará forças e vontades e contará com o empenho, o trabalho, a dedicação e a luta dos comunistas, dos democratas, dos trabalhadores e. das populações da nossa Região” .


Está assim concluída a transcrição da Resolução Política, que as Direcções Regionais de Castelo Branco e Guarda do PCP, aprovaram num encontro, que reuniu muitas dezenas de interessados, em Manteigas no passado dia 16 do corrente mês.

quinta-feira, 21 de junho de 2007


2 - Para o PCP um novo rumo para a Serra da Estrela pressupõe necessariamente a valorização do património histórico como ponte para o futuro. Esta ideia chave para a revitalização económica e social da Serra da Estrela assenta em três pilares nucleares, integrados e articulados entre si, nomeadamente:
2.1 – Estrela: património natural e cultural único no país;
2.2 - Estrela: inovação na tradição;
2.3 – Estrela: região digital

3 - O desenvolvimento sustentável que o PCP propõe nas suas dimensões sectoriais, é operacionalizado num conjunto de medidas e projectos inter-relacionados:
a) Apoio Social:
- Defesa do sistema público e universal de segurança social bem como a melhoria das prestações sociais e pensões de reforma;
- Reforço das redes institucionais para uma nova governância multi nível dinamizadora de uma visão estratégica da região;
- Apoio e dinamização do movimento associativo (colectividades e associações culturais, desportivas, recreativas, ambientais, etc.):
Apoio a iniciativas inovadoras de intervenção social orientadas para a abordagem de problemas emergentes: estruturas de apoio e redes sociais.

b) Saúde:
· - Defesa dos serviços públicos de saúde existentes na Região (maternidades, urgências, extensões de saúde, SAPs) e da sua qualificação;
· - Melhoria da rede de cuidados de saúde primários;
· - Prestação de serviços de saúde em regime domiciliário e em particular nas povoações mais isoladas;
· - Articulação dos serviços de saúde de cada município;
· - Desenvolvimento da telemedicina ligando os centros de saúde aos hospitais distritais/nacionais.

c) – Educação e Formação:
- Defesa do Ensino e da Escola Pública e da Escola Rural de Proximidade e combate ao insucesso escolar e ao encerramento de escolas;
- Dinamização da cooperação municipal ao nível da oferta e procura de formação e de emprego;
-Divulgação e incentivo às boas práticas aos níveis da iniciativa pública e privada, nomeadamente nas empresas, administração pública local, educação e formação através de comunidades de prática;
-Implementação de um amplo plano de formação e qualificação profissionais directamente dirigido aos empresários, quadros técnicos, quadros intermédios e trabalhadores em geral, tendo em conta as necessidades das empresas, as novas profissões e as actividades económicas emergentes e a implementar, visando elevar a qualificação profissional.

d) – Cultura:
- Promoção e valorização da rede cultural, nomeadamente: museológica, etnográfica,teatral, cine clubista e musical.
- Defesa da criação artística, juvenil e de novas expressões culturais.
- Apoio às Associações culturais, desportivas e recreativas da Região.

e) Investigação e Tecnologia:
- Estudo de avaliação das necessidades de articulação do sistema de formação com o sistema científica e tecnológico regional;
- Desenvolvimento do Parque tecnológico da região que, não descurando as relações com o sistema Científico e Tecnológico nacional e internacional, intensifique as relações com o tecido produtivo e as empresas, contribuindo para a assimilação e desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas aos recursos locais, como por exemplo os têxteis hospitalares;
- Desenvolvimento e transferência de tecnologias de elevada eco-eficiência energética;
- Desenvolvimento das tecnologias da saúde em articulação com a Universidade da Beira Interior e Hospitais;
- Reforço e divulgação da investigação médica e, em especial, focalizada nos problemas de saúde da população idosa;
- Concepção de Plataformas e de uma rede de quiosques virtuais destinados a uma utilização multisectorial;
- Criação da Região Digital da Serra da Estrela, entendida como comunidade de prática em tempo real, ligando via Internet as instituições e populações da região para troca de informação e prestação de serviços.

f) Empresas:
- Introdução e desenvolvimento dos têxteis técnicos, aliando a tradição com as tecnologias de ponta;
- Implementação de unidades de produção de energias renováveis, salvaguardando os impactos negativos do ponto de vista paisagístico e ambiental;
- Divulgação do micro crédito, promovendo assim as pequenas iniciativas locais e o auto emprego;
- Criação de um Centro de apoio à distribuição, comercialização e certificação de produtos regionais com três valências, nomeadamente:

1) Estudos e prospectivas,
2) Inovação e design, e
3) Marketing e comercialização;
· - Criação de centros municipais ou inter-municipais de informação e apoio jurídico e logístico que, além da consultoria ao pequeno empresário, permitam tratar dos assuntos legais numa única instituição e possam funcionar como incubadoras de actividade económica;
· - Apoio à criação e expansão de Parques Tecnológicos e de empresas e da Plataforma Logística da Guarda;
· - Implementação de medidas contra a deslocalização e encerramento de unidades produtivas e de apoio às micro, pequenas e médias empresas;
· - Redução dos elevados custos das energias e dos combustíveis, com diminuição da carga fiscal;
· - Eliminação do diferencial de IVA, nomeadamente face a Espanha, reduzindo dessa forma os elementos de estrangulamento de actividade económica da Região

g) Agro – Florestal:
- Defesa e modernização dos matadouros municipais e da rede pública de sanidade animal;
Articulação na elaboração e implementação dos planos de prevenção e combate a incêndios florestais;
- Ordenamento e gestão da floresta na perspectiva do multiuso;
- Apoio financeiro e técnico ás explorações agrícolas e florestais que tenham como base os produtos regionais;
- Investigação tecnológica aplicada à fileira florestal;
- Reforçar o apoio aos baldios dos povos da Serra da Estrela, ao investimento em equipamentos colectivos e à sua gestão democrática.

h) Turismo e Ambiente:
- Identificação dos valores ambientais e culturais a preservar com a consequente divulgação e responsabilização das entidades e populações;
- Regulação dos fluxos de acesso turístico a áreas da serra particularmente sensíveis do ponto de vista ambiental;
- Inventariação, classificação e (re)qualificação do património edificado (solares, igrejas e outros monumentos) e valorização dos elementos históricos, culturais e ambientais;
- Consolidação e requalificação dos núcleos urbanos;
- Estudo de qualificação e integração da oferta turística na região e de estratégias de mercado;
- Regulação da actividade de caça e pesca, salvaguardando os equilíbrios ecológicos e a sua natureza de interesse público;
- Elaboração de um plano de ordenamento da Serra da Estrela;
- Elaboração de estudos de planeamento e de optimização de sistemas de recolha, transporte, tratamento e reciclagem de efluenntes/resíduos de origem urbana e produtiva;
- Edificação de Centros de Interpretação do património natural endógeno, localizados nos núcleos urbanos e à entrada dos respectivos parques;
- Introdução de sinalética adequada que informe com clareza o visitante e a população;
-Elaboração de um plano de desenvolvimento integrado para toda a Região da Serra da Estrela.

i) Infraestruturas e Acessibilidades:
· - Aproveitamento dos recursos hídricos da serra, conciliando interesses das populações e defesa dos ecosistemas;
· Estudos de viabilidade com vista à implementação de teleféricos na Serra da Estrela;
- Consolidação da rede viária que permita a permeabilização do território e reforço da sua coesão económica e social, numa quota entre os 500 e 800 metros;
· - Redução progressiva do trânsito automóvel onde existem debilidades dos sistemas ecológicos e o seu impacto seja negativo no meio natural e provoque a diminuição da qualidade do turismo, podendo, no caso do acesso à Torre, passar por transportes alternativos devidamente autorizados e licenciados;
· - Criação de uma rede de transportes públicos que permita a deslocação inter e intra concelhia em condições de comodidade e horários compatíveis com as necessidades das populações;
· - Construção de uma rede de heliportos de pequena dimensão e polivalentes (turismo, evacuação médica, apoio ao combate aos fogos florestais);
· - Arranque do IC6 com o túnel da Alvoaça e rectificação do troço entre o IC6 e Seia:
· - Rectificação da estrada nacional 232, entre Manteigas e Gouveia;
· - Elaboração de um estudo de impacto ambiental da chamada “estrada verde” – ligação da Guarda, Videmonte, Prados, Linhares, Folgosinho com Celorico da Beira, Gouveia e Manteigas;
· - Modernização e electrificação da linha da Beira Baixa (troço Castelo Branco – Guarda);
· - Criação de Plataformas virtuais como logística à rede de observatórios e de sistemas de informação nacional.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

UM NOVO MODELO DE GOVERNÂNCIA

Para o PCP um novo rumo para a Serra da Estrela implica promover um novo tipo de governância que afirme o primado do interesse público, delimite as competências e reduza as zonas de sobreposição e os organismos com jurisdição sobre este território, assuma os valores da ética como determinantes dos comportamentos nos negócios e na acção pública e inviabilize o tráfico de favores económicos e políticos. A transparência na condução das políticas, no relacionamento entre a administração pública aos vários níveis e entre esta e os agentes económicos é uma exigência das populações e condição para um desenvolvimento sustentável inclusivo.
NESTE SENTIDO, O PCP CONSIDERA QUE:

1)
É indispensável garantir ao Estado democrático a soberania efectiva sobre a defesa do meioambiente e património da Serra da Estrela, o direito à gestão e ordenamento do território e a capacidade de iniciativa e intervenção efectiva na qualificação da vida das populações desta Região.
2) É urgente reiniciar o processo de regionalização (preceito Constitucional), concentrando na futura Junta Regional as funções e competências hoje dispersas, Esta medida política e administrativa certamente que irá contribuir decisivamente para minorar os efeitos perversos dum menor peso eleitoral, político e económico da Região e para a melhoria da eficiência da governação. O PCP defende que seja constituída uma Autoridade para a Serra da Estrela, que emane da Junta Regional e assuma as responsabilidades mais essenciais na área da Serra, assegurando também a articulação das decisões autárquicas, dos vários agentes envolvidos (públicos e privados; administração central e local), retirando espaço à lógica de “ quinta” para “pensar” e dirigir a Região da Serra da Estrela numa Lógica supra-municipal e de integração, num espaço mais vasto e entendido de forma global.
3) É necessário redefinir o actual modelo de gestão dos equipamentos de Turismo da Serra da Estrela, pondo cobro ao monopólio da Turistrela, mas salvaguardando os direitos legítimos adquiridos, em diálogo e respeitando os direitos e legítimos interesses da Turistrela que, sendo directamente beneficiária da solução, não é a única nem principal responsável pela situação, que resulta das políticas e decisões dos sucessivos governos.
1 – Para o PCP, um novo rumo para a Serra da Estrela, implica:

1.1- Defender e revitalizar o aparelho produtivo e os postos de trabalho existentes, travando o encerramento de empresas. No imediato é necessário:
a - Dar resposta aos problemas existentes nos sectores tradicionais (agricultura, lanifícios e
vestuário);
b - Apoiar, defender, promover e valorizar a produção agro-industrial, nomeadamente leite,
queijo, enchidos e carnes;
c - Aplicar medidas especiais e concretas para a defesa, relançamento e diversificação da
actividade florestal, face à calamidade dos incêndios florestais;
d - Modernizar e revitalizar os serviços e o comércio tradicional e limitar o licenciamento a mais
Grandes Superfícies;
e -Promover o Turismo numa perspectiva integrada, de qualidade ambiental sustentável e
acessível a todos;
f - Defender a água como bem público, lutando contra a sua privatização;
g -Defender e promover o ambiente.

1.2 – Fazer uma aposta séria no sector produtivo de forma a dinamizar o tecido económico e social e os sectores do comércio e dos serviços, o que passa, desde logo, quer pela manutenção de empresas com alta capacidade tecnológica e mão-de-obra qualificada, quer por políticas estruturadas para sectores tradicionais, médias, pequenas e micro-empresas que constituem cerca de 90% do tecido produtivo, uma mais - valia para a região. Estas empresas pela sua identificação com a Região têm menor propensão para a deslocalização, sendo assim decisivas para a criação e manutenção do emprego.
1.3 – Dar prioridade à atracção de investimento público e privado para diversificação das actividades económicas e a instalação de novas empresas, que criem novos postos de trabalho com direitos
1.4 – Valorizar o trabalho, concretizando um aumento dos salários e pensões, dinamizando medidas de combate ao desemprego e à percaridade e dê garantia de emprego com direitos, contribuindo assim para o aumento do consumo familiar, da produção e de toda a actividade económica da região da Serra..