domingo, 21 de outubro de 2012


Sessão Solene Comemorativa do 142º Aniversário da Elevação da Covilhã a Cidade

 

Senhor Presidente da Assembleia Municipal,

Senhoras e Senhores Deputados,

Senhor Presidente da Câmara Municipal,

Senhores Vereadores,

Entidades Civis e Militares,

Instituições Sociais e Coletividades,

Órgãos de Comunicação Social,

Senhoras e Senhores Convidados,

Caros Covilhanenses,

 

Elaborar um discurso evocativo dos 142 anos da Covilhã – Cidade é uma tarefa ingrata face ao contexto económico, social e politico em que nos encontramos mergulhados.


Falar da história da cidade, já outros o fizeram e escreveram com maior acuidade e sabedoria.

Falar das pessoas da cidade até meados do século XX  é  recordar  a vida dos

patrões e dos operários têxteis, da opulência de uns e miséria de outros, que já Ferreira de Castro descreveu na sua obra “ A Lã e a Neve”.

Contudo, existe sempre, no capitalismo selvagem em que vivemos, matéria mais do que suficiente para a denúncia da exploração e opulência, da miséria de uns e fortuna de outros.

A Cidade-Fábrica foi-se fragilizando com as constantes falências de uns lanifícios e têxteis em crise estrutural, por via de decisões erráticas nacionais e supranacionais, apoiadas por muitos dos que se dizem defensores da cidade e da região.

É fácil ligar as decisões da União Europeia às dificuldades vividas, hoje, na Covilhã – Cidade. Basta pensar um pouco e recordar, utilizar a memória.

É fácil identificar os responsáveis pela entrada de Portugal na CEE e no Euro. Basta pensar um pouco e recordar, utilizar a memória.


Nem sempre se ligam os efeitos (crise que hoje vivemos) às causas, às decisões tomadas, e ninguém assume responsabilidades.

A culpa morre solteira até o povo deste concelho e deste País diferenciar o trigo do joio.

Da Cidade – Granja restam meras intenções municipais de reabilitação de uma agricultura e de um meio rural ferido de morte com a entrada, nunca escrutinada, de Portugal na Comunidade Económica Europeia.

Quanto à Cidade- Turística ainda andamos, hoje, à procura do rumo certo e de uma estratégia eficaz.

O 25 de Abril de 1974, a revolução democrática, a revolução dos cravos, veio com as portas que Abril abriu, dar alento ao desenvolvimento da Cidade.

É com o Poder Local Democrático que a Cidade ganha impulso e as suas populações exigem e conseguem melhorar a sua qualidade de vida, só possível com melhores salários e direitos conquistados, afirmando os estudiosos da história do movimento operário que, foi com a exigência de melhores salários do operariado covilhanense que se caminhou para a definição do salário mínimo nacional.

É com o poder local democrático e com uma melhor distribuição da riqueza nacional que as populações da nossa Cidade conseguem melhores serviços de saúde e de educação e infra estruturas básicas (equipamentos, redes eléctricas, redes de água e esgoto, redes viárias) que nos conduziram ao estado de desenvolvimento e de algum bem estar em que nos encontramos.

Apesar de tudo melhorámos muito na formação da nossa população jovem, no conhecimento, na ciência e na investigação com a rede escolar existente ( do pré  - escolar ao Secundário), com a Universidade da Beira Interior e com o trabalho de milhares de educadores e professores que deram e dão o “rosto ao futuro” da nossa Cidade.


Melhorámos, de forma significativa, nos cuidados de saúde, com a construção do Centro Hospitalar da Cova da Beira e a criação da Faculdade de Medicina.

Acabámos com o aeródromo e com aquela regra dos anos 50 que não permitia a construção num raio de 1000 metros do aeródromo, por razões óbvias de segurança, possibilitando-se desta forma a urbanização daqueles terrenos e a legalização de construções ali existentes.

Esperamos por um aeroporto regional que dificilmente obterá financiamento da administração central face à conclusão do aeroporto, também denominado regional, de Castelo Branco.

Finalmente, passados mais de 100 anos da sua existência em Lisboa, descobrimos os elevadores e os funiculares que ajudam à mobilidade na cidade. E até, mesmo com o endividamento municipal em níveis preocupantes, se constrói uma ponte pedonal de 4 milhões de euros, deixando a muitos munícipes a dúvida da bondade e razoabilidade da sua construção, face ao binómio custo-benefício e a outras prioridades existentes na Cidade – Concelho.

Tivemos auto estradas que nos aproximaram do litoral, gratuitas, como medida de combate à interioridade e uma ajuda significativa ao nosso desenvolvimento.

Contudo, passámos a ser taxados, graças ao PS, PSD e CDS com isenções limitadas para as populações se habituarem, e agora pagamos tanto ou mais que em outras auto-estradas.

É justa e legítima a reivindicação das Comissões de Utentes e da Comissão de Empresários pela isenção de portagens na A23, A24 e A25.

Não conseguimos a auto estrada para Coimbra.

Uma falha significativa e imperdoável pela importância que esta ligação tem para a Cidade.

No ordenamento e gestão do seu território, a Cidade, tem sido gerida visando

a criação de um grande centro urbano – A grande Covilhã – com o abandono evidente das suas áreas rurais.

A acção da actual gestão da Cidade, de concentração das infra estruturas industriais, de equipamentos de lazer, de grandes superfícies comerciais, de expansão da área urbana e de habitação social ao longo do eixo TCT, entre o Tortosendo e o Teixoso, já se traduziu, de acordo com os censos de 2011, a um aumento de população naquele eixo, com o consequente despovoamento das freguesias rurais.

Empresas, criadas nas freguesias, que fixavam pessoas e dinamizavam as frágeis economias locais, foram aliciadas a deslocar-se para a Grande Covilhã.

As populações das freguesias rurais vêm os seus filhos, os seus vizinhos e amigos a optar pela emigração, aceitando a sugestão dos nossos governantes.

Com uma população idosa e sem qualquer incentivo à produção agrícola e florestal os campos ficam abandonados.

Quanto às infra estruturas básicas e de serviços a prestar às pessoas que habitam a Cidade a actual gestão optou pelas  Parcerias Público Privadas (as famosas PPPs) e pelas concessões a empresas privadas de vários serviços públicos.

Temos PPPs e concessões para vários sectores e para todos os gostos:

- Na distribuição da água ao domicílio

- No tratamento de águas residuais

- Na recolha de resíduos sólidos

- No estacionamento público

- Nos transportes urbanos

- No tratamento e conservação de espaços verdes

- Na gestão da EPABI

A Cidade e a gestão da “coisa pública” foi entregue a empresas privadas que, logicamente, procuram o lucro.

A maioria delas, na sequência de acordos leoninos, nunca têm prejuízo.

O seu investimento é devidamente remunerado nos aumentos constantes da fatura de água, de saneamento e resíduos sólidos e na estimativa dos utentes a estacionar ou a transportar.


Ao cidadão é imposta, e cada vez mais, uma factura que oprime, que empobrece e revolta.


Afinal, a Cidade que deveria ajudar, facilitar a vida das pessoas e possibilitar uma maior qualidade de vida está a infernizar a vida aos seus habitantes, complementando as medidas dolorosas do governo.

Ao nível dos equipamentos públicos estamos longe das necessidades das pessoas que habitam a Cidade.

Uma piscina com problemas constantes

Um parque desportivo que se ficou pelo futebol e atletismo

Um Pavilhão Desportivo Municipal que não existe

Temos sedes de colectividades mas não aumentou o número de praticantes desportivos ou de criadores culturais

Centros Escolares que não se construíram

Espaços verdes limitados, se comparados com os existentes em outras Cidades da região.

Na utilização dos equipamentos existentes, apesar de parcos, facilita-se a utilização pelos adultos seniores mas penaliza-se, com a aplicação de taxas, as crianças e os jovens.

De facto as crianças e os jovens não têm obtido da Cidade, e de quem é responsável pela sua gestão, a atenção que merecem.

Os eleitos do PCP têm discordado nesta Assembleia Municipal das taxas aplicadas às crianças e aos jovens no acesso e usufruto dos equipamentos municipais, no acesso à cultura, ao desporto, enfim, à sua formação e crescimento harmonioso.

Os eleitos do PCP têm apelado ao executivo que gere a Cidade para o cumprimento da legislação no que toca aos apoios da acção social escolar, nomeadamente ao nível do material e livros escolares.

Tudo isto porque consideramos que as crianças e os jovens, no universo humano, são os mais vulneráveis e dependentes e serão os futuros habitantes da cidade.

A Covilhã - Cidade  não tem sido amiga da sua população.

Na Covilhã vive-se mais caro, é mais difícil viver, do que nos centros urbanos vizinhos.

Pagamos as taxas, as tarifas e as licenças mais elevadas no acesso aos serviços administrativos, no licenciamento urbano, na fatura de água, saneamento e resíduos sólidos e as taxas mais elevadas da utilização do subsolo pela rede de gás.

No IMI pagamos todos por igual sem diferenciação de zonas rurais e urbanas.

Pagando a mesma taxa o proprietário de uma casa em S. Jorge da Beira e em Verdelhos como o proprietário de uma casa no Covelo.

O Código do IRS prevê a possibilidade da devolução, por parte da Cidade, até 5% do imposto, aos seus concidadãos.

Ouvimos e lemos que em Concelhos vizinhos se devolve, no todo ou em parte, dos 5% do IRS aos seus habitantes.

Na Covilhã – Cidade não se devolve nada e tudo se cobra a níveis elevados.

Sofre a Cidade e os seus habitantes os efeitos de um memorando, assinado pelo PS,PSD,CDS, e aplausos dos banqueiros, imposto por uma troika internacional (EU,BCE,FMI) que nos esmifra, nos rouba o presente e que, com este rumo, não nos dá esperança para o futuro.

Aí temos os efeitos. Recessão económica, desemprego, empobrecimento da população, a miséria instalada em muitos lares e famílias.

Mas, na Covilhã – Cidade, o CDS e o PSD que a gere, vai impor mais sacrifícios à população para obter mais um financiamento, ao mesmo tempo que afirmam ter dinheiro disponível, através de um programa de ajuda à economia local (PAEL) criado pelo governo.

O Governo empresta, com juros,  e exige que os municípios, à semelhança da Troika que nos governa, decidam pela maximização das receitas e optimização dos serviços, ou seja, exige que o povo pague mais pelo mesmo e que o município mande para o desemprego umas dezenas de trabalhadores.

Grande ajuda à economia local!

Eles, todos eles, lá no Governo e cá na Autarquia, pensam que a economia local  cresce com o aumento de impostos à população, a mitigação e roubo dos rendimentos dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas, dos pequenos e médios empresários.  Nada mais falso.

Mas..  e a Covilhã – Cidade, dinamiza a participação dos seus habitantes na vida pública ? Estimula a sua participação na definição das prioridades para o desenvolvimento e melhoria das suas condições de vida e bem estar ?

A democracia e o direito de participação não pode nem deve resumir-se ao mero acto eleitoral.

Porque pensamos que a democracia politica se faz com a participação das pessoas e se aprofunda com o aumento de participação, afirmamos que a redução de órgãos eleitos, nomeadamente os órgãos da autarquia local – freguesia, é um processo de empobrecimento da democracia e um atentado aos valores do 25 de Abril de 1974.

A concentração de poderes em órgãos autárquicos, com maior escala (como os eleitos do PS,PSD e CDS defendem), só pode conduzir a um maior afastamento do poder de decisão, das populações.

Um maior afastamento do eleito dos seus eleitores e dos seus problemas.

A aprovação da constituição da Junta de Freguesia da Covilhã, com o desaparecimento das quatro juntas de freguesia existentes, significa, objectivamente, um empobrecimento da democracia na nossa Cidade.

Que futuro para o País e para a Cidade ?

Com as opções e decisões da troika e obediência do PSD e CDS, acompanhados, no fundamental pelo PS, vamos para o desastre económico e social.

A manutenção das atuais orientações financeiras, económicas e politicas, traduzidas no próximo orçamento de estado, irá levar o País e a Cidade ao desastre.

É necessário pôr fim ao desastre, em defesa do País e da Cidade.

É tempo de afirmarmos o nosso direito inalienável de decidirmos do destino do nosso País.

É tempo de afirmarmos o nosso amor pela Pátria, exercendo a soberania politica e económica que não podemos, nem devemos, alienar.

Este governo, como ficou demonstrado nas manifestações de rua de Setembro e Outubro, já não tem base social de apoio.
É necessário dar força à Greve Geral do próximo dia 14 de Novembro, dar força ao protesto, à revolta, à indignação, dar força a um outro caminho para o nosso País.
Nada é inevitável. Inevitável, só a morte.

Existem outros caminhos, outras opções, tenhamos coragem de as tomar.

Impõe-se a demissão do governo e a implementação de uma outra política,

só possível com um governo patriótico e de esquerda.

Disse

Viva a Cidade da Covilhã

Viva Portugal


Os Eleitos do PCP

Marco Gabriel, Mónica Ramôa, Vitor Reis Silva

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Imposto Municipal de Imóveis


Nota: 
Os eleitos do PCP na Assembleia Municipal fizeram o seu trabalho de casa.

Queríamos, neste período de crise, reduzir este imposto no Concelho da Covilhã , estimular a fixação nas freguesias rurais e estimular a reabilitação urbana no Concelho.

A maioria PSD/CDS com os Presidentes de Junta de Freguesia (à excepção  do PJ da Boidobra) aprovaram a proposta da Câmara Municipal que não faz qualquer discriminação positiva entre prédios urbanos da cidade e do meio rural.

Lamentável é o voto dos eleitos do PSD e CDS e, em especial, dos Presidentes de Junta de Freguesia da área rural que não defenderam o que era de interesse das  populações que os elegeram.

Aqui fica a intervenção e a proposta do PCP para o Imposto Municipal de Imóveis

2. PERÍODO DA ORDEM DO DIA
2. 4 - Fixação do Imposto Municipal sobre Imóveis para o ano de 2012

Exm.o Senhor Presidente
Exm.os Senhores Deputados

A Câmara apresenta-nos uma proposta de imposto municipal sobre Imóveis em parte semelhante à do ano anterior com uma redução de cinco centésimas nos prédios urbanos avaliados nos termos do Código.

As taxas propostas enquadram-se nos valores definidos no Orçamento de Estado para 2012 no que toca às alterações produzidas ao Código do IMI.

Contudo, existe uma diferença entre a proposta da Câmara Municipal e o Código do IMI que não nos parece  em conformidade e que interessa corrigir:

Trata-se do seguinte:

A Câmara Municipal deliberou aprovar que :

- ao abrigo do disposto no n°. 3 do arte 112° do eIMI que a taxa aplicável a prédios urbanos seja elevada ao dobro no caso de prédios urbanos que se encontrem devolutos há mais de um ano, considerando-se devolutos os prédios como tal definidos em diploma próprio, conforme estipulado pela Lei n°. 6/2006, de 27 de Fevereiro;


Ora o nº 3 do CIMI define que:

3 - As taxas previstas nas alíneas b) e c) do n.º 1 são elevadas, anualmente, ao triplo nos casos de prédios urbanos que se encontrem devolutos há mais de um ano e de prédios em ruínas, considerando-se devolutos ou em ruínas, os prédios como tal definidos em diploma próprio.

E o mesmo texto na Lei do Orçamento

3 — As taxas previstas nas alíneas b) e c) do n.º 1
são elevadas, anualmente, ao triplo nos casos de prédios
urbanos que se encontrem devolutos há mais de um ano
e de prédios em ruínas, considerando -se devolutos ou em
ruínas, os prédios como tal definidos em diploma próprio.

Para além do grau de elevação (dobro ou triplo), que não é de somenos importância para as finanças do município, o CIMI e OE alargam a aplicação aos prédios em ruínas enquanto a proposta da Câmara incide só sobre os devolutos. Por outro lado, a proposta só refere os prédios urbanos deixando de fora os prédios urbanos avaliados nos termos do CIMI.

Parece-nos que a norma definida no nº 3 do CIMI é imperativa e de aplicação geral não dando margem de decisão às autarquias e aos seus órgãos, por coisa diversa.

Este item da proposta da Câmara Municipal parece-nos em desconformidade com a lei, mal formulado, objectivamente redutor da receita da Câmara Municipal e causador de eventuais conflitos interpretativos.

Para correcção basta retirar-se este item e substituí-lo pelo texto que se encontra no nº 3 do artigo 112º  do Código do IMI.

Ainda quanto à proposta:

Apresenta uma redução que coincide com a proposta por nós feita no ano anterior para este tipo de prédios.

Porém, no que toca aos prédios rústicos e aos restantes prédios urbanos mantem os mesmos valores.

Assim como se mantem o tratamento desfavorável dos imóveis situados nas freguesias rurais e, em especial, às que sofrem um processo contínuo de desertificação.

Apesar de o Código do IMI dar a possibilidade de a proposta conter essa discriminação positiva, nomeadamente no nº 5 e nº 6 do artigo 112º, que definem:

5 - Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, fixam a taxa a aplicar em cada ano, dentro dos intervalos previstos nas alíneas b) e c) do n.º 1, podendo esta ser fixada por freguesia.
6 - Os municípios, mediante deliberação da assembleia municipal, podem definir áreas territoriais, correspondentes a freguesias ou zonas delimitadas de freguesias, que sejam objecto de operações de reabilitação urbana ou combate à desertificação, e majorar ou minorar até 30% a taxa que vigorar para o ano a que respeita o imposto.

Apesar desta possibilidade, repito, a Câmara Municipal não utiliza este instrumento para estimular a reabilitação urbana e combater a desertificação das nossas freguesias rurais.

A defesa das freguesias rurais e das suas populações constante em alguns discursos inflamados não se verifica, na prática, quando se trata da utilização de instrumentos fiscais em vigor para estimular a permanência de quem reside e estimular o povoamento daquelas freguesias.

O esforço na reabilitação urbana não passa só pela aplicação de taxas superiores aos prédios devolutos (o triplo no Código - o dobro na proposta) e a majoração de 30% aos prédios degradados.

A reabilitação urbana também pode e deve passar pelo estímulo que se poderá dar aos proprietários que pretendam realizar obras de conservação e preservação das características específicas (arquitectónicas,

materiais construtivos - Xisto, Granito, etc) dos seus imóveis (na cidade ou no meio rural) através da minoração prevista no Código.

Assim, e para que o discurso corresponda de facto à prática e à proposta concreta, apresentamos a seguinte proposta para deliberação da Assembleia Municipal:

Proposta

Considerando que, nos termos do artigo 112º do Código do Imposto Municipal sobre Imóveis, os municípios fixam, mediante deliberação da Assembleia Municipal, a taxa a aplicar em cada ano, dentro dos intervalos previstos nas alíneas b) e c) do nº 1 do mesmo artigo, ou seja, entre 0,5 - 0,8 e 0,3 - 0,5 (avaliados nos termos do CIMI).

Considerando a real preocupação com a situação social e económica do País assim como a necessária protecção das áreas mais periféricas do concelho da Covilhã, nomeadamente as rurais, promovendo o incentivo à fixação de população;

Considerando que as famílias portuguesas são já prejudicadas pelo crescente aumento do custo de vida, nomeadamente de bens e serviços essenciais, com o aumento do IVA;

Considerando os cortes nos salários e a retenção dos subsídios de férias e de natal aos trabalhadores da administração pública e pensionistas;

Considerando, ainda, a necessidade de se estimular a reabilitação urbana e estancar a desertificação do meio rural;

O PCP propõe, que as taxas de IMI para o ano de 2013 a aprovar por esta Assembleia Municipal sejam, nos termos do artigo 112º do CIMI, as que se seguem:

a)     Prédios rústicos: 0,80%;

b)    Prédios urbanos:

i)         Freguesias urbanas (Conceição, Santa Maria, São Martinho, São Pedro): 0,70%
ii)       Freguesias da periferia urbana (Cantar Galo, Vila do Carvalho, Teixoso, Canhoso, Boidobra e Tortosendo): 0,63 %, com a aplicação de uma taxa de minoração de 10 % - artigo 112º, nº 5 e 6 do CIMI;
iii)      Restantes freguesias: 0,56 %, com a aplicação de uma taxa de minoração de 20% - artigo 112º, nº5 e 6 do CIMI.

c)     Prédios urbanos avaliados:

i)   Freguesias urbanas (Conceição, Santa Maria, São Martinho, São Pedro): 0,30%;
ii) Freguesias da periferia urbana (Cantar Galo, Vila do Carvalho, Teixoso, Canhoso, Boidobra e Tortosendo): 0, 27 %, com a aplicação de uma taxa de minoração de 10 % - artigo 112º, nº 5 e 6 do CIMI;
iii) Restantes freguesias: 0,24 %, com a aplicação de uma taxa de minoração de 20% - artigo 112º, nº5 e 6 do CIMI;

iv) Prédios urbanos (em todo o concelho) com processo de conservação e preservação licenciado pela CM - minorar em 30% a taxa aplicável na alínea b).

d) - Aos prédios devolutos e em ruínas aplicar o triplo de acordo com o nº 3, do artigo 112º do CIME;

e) - Aos prédios urbanos degradados aplicar a majoração de 30%;

f) - Aos prédios situados em áreas florestais e em abandono  aplicar o dobro da taxa aplicável.


Os Eleitos do PCP

Vítor Reis Silva
Mónica Râmoa
Carla Marisa


A entrada em vigor das alterações à legislação laboral e a resposta dos trabalhadores

A entrada em vigor das alterações à legislação laboral e a resposta dos trabalhadores

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Procissões de encapuçados nas vielas do poder

 
Um só caminho é praticável ; e não para mudar a própria Sorte, decidida de uma vez por todas. Mas, pelo menos, para conhecê-la.
O caminho é lançarmos-nos em cheio ao trabalho esperando ter êxito, ganhar dinheiro e prestígio, alcançar sucesso porque ... quem tem êxito nas actividades humanas é esperado no Paraíso ; quem falha, falha não só aqui, mas também na Eternidade, pois no plano de Deus-patrão foi colocado entre aqueles que acabarão para sempre no Inferno !(Opus Dei, uma investigação jornalística”, Vittorio Messori citando Escrivá de Balaguer, na pag. 140”).
Os homens mais perigosos são aqueles que aparentam muita religiosidade, especialmente quando estão organizados e detêm posições de autoridade, contando com o profundo respeito do povo, o qual ignora o seu sórdido jogo pelo poder, nos bastidores ...”
( Padre António Rivera, ex-jesuíta ).

Por: Jorge Messias
A crise actual do catolicismo é determinada por um facto incontestável : a coexistência de duas visões do mundo radicalmente diferentes ; e a intensa cobertura da comunicação social sobre a crise financeira ou crise europeia, ignorando o elefante na sala. O que vai acontecendo é que as pessoas que produzem coisas reais no mundo real, já não prestam homenagens à besta financeira Wall Street, aos escravizadores de mentes do Vaticano ou aos valentões de Washington DC “
(Igreja Católica Renovada do Brasil).
Por vezes, ao olharmos nos ecrãs da TV as imagens dos membros da troika ou o espectáculo que nos é dado pelos membros das poderosas administrações dos bancos ou das grandes empresas, é-nos difícil deixar de imaginar as longas filas de monges e sacerdotes que no decorrer da história marcaram com os seus hábitos, a sua unção e os seus discursos fáceis, os corredores dos conventos ou os salões dos paços reais e da alta aristocracia do reino. E, com efeito, os laço que unem fantasmas e corpos ainda palpitantes é evidente: nuns e noutros casos, tratou-se e trata-se de fazer negócio, arrecadar os lucros e concentrar capitais. Porque, um dia (que não virá longe, segundo os cardeais) o Vaticano reinará na terra. Mas não reinará sem a banca a seu lado. Por isso mesmo, a Cúria vai melhorando constantemente as suas posições no mercado financeiro.
Entretanto, passam os meses e os anos e muito pouco ou nada parece confirmar a visão optimista da igreja de Roma. Multiplicam-se os escândalos e vão surgindo factos que comprovam a quebra de influência do aparelho eclesiástico e da sua tradicional disciplina de classe. Avultam os crimes sexuais, financeiros, de abuso do poder, etc. O Vaticano surge envolvido, directa e indirectamente, em matéria criminal tal como acontece com o IOR, o Bank of America, o Crédit Agricole, o Commerzbank, a Société Générale, o J.P. Morgan, o Goldman Sachs, a Union des Banques Suisses, o Banquia, o Popular, também todos aqueles que já citámos e muitos mais que vão aparecendo se bem que a igreja tudo fizesse para que fossem esquecidos. No entanto, eles permanecem presentes nas memórias de muitos de nós.
Deve, entretanto, reconhecer-se que o génio inovador do colégio episcopal não esgota o seu poder inovador. Não é só através dos esquemas tradicionais de aquisição e ampliação do poder - como as Concordatas ou as isenções fiscais negociadas com governos amigos – que o Vaticano actua. Outros canais, porventura de mais alto risco, estão disponíveis e devem merecer toda a nossa atenção, sobretudo por serem altamente diversificados : os offshores, as bolsas de valores, o ensino e a saúde privados, o terceiro sector e a segurança social, a solidariedade filantrópica no combate à pobreza, a política nacional, a política europeia e a política do terceiro mundo, o fosso bem e mal-amado entre ricos e pobres, etc., etc. Por todos os espaços livres o Vaticano se mete, qual piolho por costura ...
Assim se prepara, pelos caminhos do padre Escrivá e do seu continuador Ratzinger, o Milénio da Nova Ordem que entregará a uma só Igreja o comando dos homens e sagrará o Capital … Reduzirindo de novo o Homem à condição de escravo e substituindo o seu livre arbítrio por um banal implante electrónico colocado à flor da pele ! ...
No meio de tudo isto, o que porventura mais espanta é que os católicos da Teologia da Libertação se continuem a calar … Tempos houve em que invocavam
a plena manifestação da vida, da justiça e da dignidade” ! Chamavam-lhes, então, católicos progressistas

Os Relvas

Sobre Miguel Relvas, os comentistas de serviço não hesitam: está politicamente liquidado.
Todavia, não vale a pena refocilar nas tranquibérnias que resvalaram Relvas para o abismo, seja a embrulhada das «secretas», as pressões à jornalista do Público ou a escandaleira da sua pseudo-licenciatura na Lusófona. Para esse repoltreamento aí estão os seus antigos propagandistas que, como de uso, são agora os mais furiosos juízes. Já lá vai o tempo em que este ministro adjunto e dos Assuntos Parlamantares era assinalado, em irreprimíveis encómios, como «o arquitecto» da vitória passista e «o cérebro» da sua governação...
O que interessa é que Relvas se tornou paradigma do sarcasmo nacional no que se refere à apreciação popular dos «políticos profissionais».
«São todos uns vigaristas», diz a vox populi, sem mais delongas.
A vigarice «faz parte da genética nacional», defendem os entendidos na matéria, que geralmente acarreiam ilustrações da actividade político-privada da actualidade para as diluir nesta «pecha ancestral» da vigarice, cuja «fatalidade» parece, se não inocentar toda a gente, pelo menos desagravar a generalidade.
É assim que os Isaltinos Morais e as Fátimas Felgueiras, os Jorges Coelho e os Ferreiras do Amaral, os Dias Loureiro e os Miras Amaral, os Carlos Melancia e os Avelino Torres, os José Sócrates e os Miguel Relvas deste País fatal (para só falarmos de proeminentes, que a lista seria interminável) circulam por aí, impolutos e inimputáveis, de rosto erguido e honra acabadinha de sair do banho, mas, sobretudo, muito, mas muito melhor na vida do que no início das fortunosas funções públicas.
Os que foram levados a tribunal viram sempre «fazer-se justiça» a seu favor, os que transitaram desavergonhadamente de cargo oficial para a direcção de grandes empresas privadas por si próprios tuteladas enquanto governantes - ou tachos afins -, afirmam, com alvar displicência, que «estão de consciência tranquila» e os que até cursos traficaram, juram a pés juntos que «sempre cumpriram a lei».
Obviamente, são todos cidadãos acima de suspeita.
Mas o «caso Relvas» serve de epítome à chamada «classe política» que desgoverna o País há 36 anos, toda ela recrutada no PS, no PSD e, quando convém, no CDS.
Ao longo desse desgoverno, os «Relvas» proliferaram como ervas daninhas, enquanto os partidos do famoso «arco do poder» iam capturando o aparelho de Estado através da apropriação do «jogo democrático» burguês.
Foi assim que PS e PSD, alternando fraternalmente no Governo, foram desmontando as alavancas do poder instituído pela Revolução de Abril, para as e o devolver ao grande capital. Basicamente, como no fascismo.
Não é, de facto, por acaso que a vox populi chama vigaristas a esta gente.
Gente que não é «vigarista» por fatalidade nacional, pois a vigarice não é «fatalidade» de nenhum povo: é fruto directo das desigualdades sociais impostas pela exploração capitalista.
Esta gente pertence, simplesmente, à linhagem dos «Relvas».


Henrique Custódio
Avante Nº 2016

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Reorganização Administrativa

No passado dia 8 de Junho a Assembleia Municipal da Covilhã efectuou uma sessão extraordinária onde abordou a aplicação da Lei nº 22/2012, de 30 de Maio que define os princípios e os procedimentos para a agregação de freguesias urbanas em 50% e as rurais em 25%. Os eleitos do Partido Comunista Português mantiveram, de forma coerente, a sua posição de defesa clara e inequívoca da manutenção das freguesias. A proposta da não pronúncia, prevista na Lei, é aquela que, neste momento, melhor defende as freguesias e o poder local em geral. Lamentável é a posição daqueles (PSD,CDS,PS E BE) que, jurando a pés juntos a defesa das freguesias, se disponibilizam para implementar uma Lei que consideram má e que se constitui como uma “batata quente” que a maioria PSD/CDS da Assembleia da República coloca nas mãos das Assembleias Municipais. Também o Senhor Presidente da Câmara Municipal, Carlos Pinto, dá o dito pela submissão aos interesses do seu partido, o PSD. Afirma- se defensor das freguesias rurais, dá de barato as urbanas que, afirma, nada fazem (esquecendo-se que a maioria delas são PSD, denegrindo desta forma os seus eleitos) mas lá vai defendendo a implementação da Lei. A reorganização administrativa territorial autárquica, entenda-se, liquidação sumária de centenas de freguesias, constitui, como todos aqui concordamos, um golpe duríssimo no poder local, conquista do 25 de Abril, e um ferimento de morte à proximidade. Nunca a proximidade do cidadão com a sua autarquia, aliás própria das sociedades alicerçadas na partilha conjugada de interesses comuns, como é o caso da portuguesa, foi tão agressivamente posta em causa. A proximidade do cidadão ao seu município é garante de cidadania, que é em si mesma o mais nobre pilar do Poder Local. E esta premissa é tão verdadeira que, de todas as eleições, são as autárquicas que têm as menores taxas de abstenção (41% em 2009 e contando com os “eleitores fantasma” segundo a CNE). O cidadão sente-se próximo da sua freguesia e do seu município e participa ativamente no exercício democrático, promovendo a democracia local e desenvolvendo a cidadania. A extinção de freguesias afasta, inexoravelmente, as pessoas do poder autárquico, afasta-as da construção de um municipalismo plural e consciente, isto é, arreda-as de tudo o que se andou a construir, em 38 anos de democracia. As populações têm uma ligação umbilical à freguesia a que pertencem, faz parte do seu património de referências. A Lei nº 22/2012 de 30 de maio, que aprova o regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica, não é, por si só, sinónimo de extinção de freguesias. Com a sua publicação nenhuma freguesia está automaticamente liquidada. A extinção de quaisquer freguesias obrigará à aprovação na Assembleia da República das leis, em rigor, lei a lei, caso a caso. Quando nas últimas eleições autárquicas, os habitantes do concelho da Covilhã votaram nas pessoas que os iriam representar e nos quais depositaram confiança para resolverem os seus problemas, não estavam a votar numa comissão liquidatária da sua freguesia ou da freguesia vizinha. Nós não fomos eleitos para depauperar o concelho naquilo que de mais valioso ele tem, isto é, a confiança e a participação das pessoas. Perante este historial e estas constatações, será que a assembleia municipal vai ser a primeira a liquidar freguesias? Será que vai fazer aquilo que o governo não fez ao publicar a Lei nº 22/2012 de 30 de maio? Quererão os senhores deputados municipais vestir a pele do carrasco que fará descer a lâmina da guilhotina e cortar freguesias do mapa do concelho da Covilhã?

Programa de Apoio à Economia Local

Não queria deixar de salientar a existência de intenções da Câmara Municipal da Covilhã candidatar-se ao Programa II do memorando de acordo entre o governo de Portugal e a ANMP. Ao Programa II podem aderir os municípios com pagamentos em atraso. Ora, a Câmara Municipal apresentou na Assembleia Municipal um plano de pagamentos em atraso com números de faturas dos fornecedores, sem montantes, desrespeitando a legislação. O artigo 19º do DL nº 152/2012, que regulamenta a Lei nº 8/2012 (Lei dos Compromissos e dos Pagamentos em Atraso), diz claramente no seu nº 1 - As entidades com pagamentos em atraso elaboram um plano de liquidação de pagamentos em atraso com a indicação dos montantes a liquidar em cada período. O mais caricato e inacreditável foi o facto de a maioria PSD e CDS da Assembleia Municipal, com os votos dos eleitos do PS, ter aprovado o plano com o número das faturas onde se escondem os montantes a liquidar aos fornecedores em cada período. Por outro lado, esconde-se, que a adesão ao Programa II acima referido obriga o município a cumprir um conjunto de condições que vão penalizar e empobrecer as populações. A Câmara Municipal da Covilhã irá, assim, aderir a um programa de autêntico resgate em tudo parecido ao programa que a troika (FMI,BCE e CE) aplicou a Portugal. Um programa que prevê a redução da actividade municipal, a maximização dos preços cobrados pelo município (tarifários, taxas) à população, entre outras medidas. Tudo isto sem qualquer informação clara e precisa aos eleitos. Tudo isto é feito à revelia e sem conhecimento das populações. Este, se outros não existissem, é um bom exemplo de que não podemos confiar no PSD, no CDS/PP e no PS no governo central e local quer estejam no poder quer estejam na oposição.

Vitor Manuel Reis Silva, deputado municipal na AM da Covilhã

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

As contas de gerência da CMC de 2011

Exmo Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Municipal Exmos Senhores Deputados Municipais Exmos Senhor Presidente e senhores vereadores da Câmara Municipal Minhas senhoras e meus senhores A Câmara Municipal coloca a sua conta de gerência com relatório de gestão e mapas anexos, relativos à gestão do ano económico de 2011, à apreciação da Assembleia Municipal. Como se previa na discussão do Plano e Orçamento para 2011 o grau de execução é muito baixo. Os orçamentos corrigidos, 8 alterações ao orçamento inicial, desvirtuam, na prática, o orçamento aprovado pela Assembleia Municipal, com os reforços ou anulações introduzidas ao longo do ano económico. O Executivo apresenta-nos uma execução global de 35,5 milhões de Euros de receita e 31,5 milhões de despesa com um desvio ao previsto de 62,5% e de 66,73%, respectivamente. Estes desvios, também chamados erros de previsão, quando na estatística ultrapassam os 0,05% são considerados dados não fiáveis. Porém, na gestão das organizações os limites são mais alargados, segundo a prática vigente. Mas….errar mais de 50% é falta de rigor, é criar falsas espectativas na concretização de obras, junto das populações e das estruturas e instituições dependentes do orçamento municipal e da sua execução, porque previstas, orçamentadas e cabimentadas. Acreditamos nos orçamentos ou definitivamente os consideramos como elemento constituinte das engenharias financeiras do poder central e local para alimentar esperanças e induzir em erro os incautos? É aconselhável que se faça um esforço no sentido de um maior rigor na gestão e administração do que é de todos, do que é público. Para além dos desvios ou erros de previsão na receita cobrada e na despesa efectuada verificamos que nas Grandes Opções do Plano (GOP) que inclui o Plano Plurianual de Investimentos (PPI) e o Plano de Actividades Municipal (PAM), o desvio ou erro foi de 77,28%. Se as receitas ultrapassaram as despesas em 4 milhões de Euros, como refere o relatório de gestão, logo se infere que era possível um grau de concretização mais elevado. O conjunto da receita e da despesa que nos é apresentada merece uma atenção mais pormenorizada. Ao nível da receita é nos impostos directos e indirectos que se verificaram subidas espectaculares na receita. Nos impostos directos uma cobrança superior ao previsto de 7 milhões para 7,2 milhões e nos indirectos de 405 mil euros para 1,3 milhões milhões. O que caracteriza esta receita e o que significa ? Ora os impostos directos incluem o IMI (imposto municipal de imóveis), o IMT (imposto municipal de transmissão de imóveis), SISA, Contribuição Autárquica, o IMC (imposto municipal de circulação), o IUC (imposto único de circulação) e a Derrama, todos eles, à excepção da derrama que incide sobre as empresas, oneram as famílias e o normal cidadão trabalhador e contribuinte que vive hoje com imensas dificuldades face à situação de recessão provocada pela troika nacional e pela troika internacional. Na situação de recessão em que vivemos com o encerramento de empresas e o aumento do desemprego o aumento desta receita só pode resultar em mais dificuldades financeiras para a população do concelho. Os impostos indirectos, para além dos obtidos dos loteamentos, resultam da ocupação da via pública e do pagamento da taxa variável do gás natural cobrada aos utentes que têm uma factura agravada em mais de 30%. A receita extraordinária da Câmara Municipal não é mais do que o empobrecimento de dezenas de famílias do concelho e de todos aqueles que acreditaram nos preços mais reduzidos ou que foram obrigados a efectuar as ligações à rede de gás. A Câmara Municipal sabia que a empresa iria fazer imputar as taxas de ocupação do subsolo aos clientes. Já tivemos o exemplo de outras empresas. Já o discutimos nesta Assembleia Municipal Outro exemplo claro de exploração das populações é a receita obtida com a venda de bens e serviços. Quanto aos bens, verifica-se uma receita de cerca de 9 mil euros, a restante verba inscrita resulta da receita obtida com a venda de serviços sociais, recreativos, culturais e de desporto no montante aproximado de 1,3 milhões de euros. É de facto impressionante e inédito. A autarquia que tem o dever de prestar serviço público no âmbito social, recreativo, cultural e desportivo, acessível a toda a população, e desde logo acessível aos que menor rendimento possuem, consegue facturar em serviços desportivos 208 mil euros, nos Jardins de Infância 276 mil euros e em rendas de habitações 228 mil euros como se de qualquer empresa privada se tratasse. Sublinhe-se que na área da despesa com o desporto encontramos 131 mil euros em actividades desportivas. Constando-se, desta forma, que o desporto nesta Câmara Municipal, no deve e haver, nas receitas e despesas correntes, parece dar lucro. A Câmara Municipal assume-se, desta forma, como mais uma empresa que se encontra no mercado que vende serviços a quem os pode pagar. É o princípio do utilizador - pagador. Quem tem dinheiro disponível pode aceder ou permitir o acesso aos filhos à actividade desportiva. Quem tem dinheiro disponível pode ter a criança no Jardim de Infância público. E os outros ??? os filhos dos desempregados, dos trabalhadores com salário mínimo e médio ? A Câmara Municipal não deveria garantir o acesso aos serviços públicos prestados independentemente dos rendimentos de cada família? Temos a convicção que sim. No Portugal de Abril, ao Estado, no qual se integram as autarquias, compete assegurar a igualdade de oportunidades de acesso aos serviços públicos por parte das populações. Na receita confirma-se o que sempre considerámos como a grande mentira do orçamento que é a venda de bens. Confirma-se o fiasco. Dos 46,6 milhões previstos nem 500 mil euros se confirmaram. Ficou-se por um grau de execução de 0,73%. Ao nível da despesa verificamos que na Educação, com um peso de 5, 8% do total da despesa, a Câmara Municipal comparticipa com 25 a 30%. Mais de um milhão de euros são assegurados pela administração central (DREC,IFAD,DGAL) e pelos utentes do pré-escolar e 1º Ciclo. Verifica-se, desta forma, que é necessário exigir da administração central o reforço das verbas a transferir para que seja possível à Câmara Municipal cumprir com as competências e funções delegadas na área da educação. Contudo, é nossa convicção, que a Câmara Municipal poderia garantir uma maior frequência de crianças nos Jardins de Infância da rede pública, aumentando a sua comparticipação na área da educação e reduzir os valores cobrados no serviço de refeições e na componente de apoio à família. Ainda na educação, Sr Presidente da Câmara Municipal Temos ao longo dos últimos anos chamado a atenção para a necessidade de a Câmara Municipal cumprir com o seu dever comparticipando os livros, o material escolar e as actividades extra curriculares às crianças do 1º Ciclo que se encontram enquadradas no escalão 1 e 2 pela segurança social para efeitos de atribuição do abono de família. No orçamento encontrava-se inscrita a verba de 5.000 Euros para auxílios económicos que não teve qualquer execução. A Câmara Municipal de forma deliberada não cria nem desenvolve os processos que possibilitem o acesso das crianças carenciadas ao apoio definido nos normativos para os livros e material escolar. Recorde-se que o despacho só define os valores mínimos da comparticipação podendo a Câmara decidir valores superiores. Em vez de cumprir com o despacho e com o orçamentado a câmara municipal, através dos seus serviços, lança um peditório concelhio, o saco colorido, para a oferta de material escolar às crianças carenciadas, reconhecendo, desta forma, a existência de carências. Promovendo, contudo, a caridade, em vez de pagar o que deve. Sr Presidente da Câmara Municipal O peso dos 5.000 Euros nas despesas correntes de 17,2 milhões é de 0,02%. Um valor que não tem peso na conta final mas muito significativo e importante para as crianças. No âmbito das despesas com pessoal com um peso de 30% das receitas correntes do ano anterior, de acordo com o relatório de gestão, regista a Câmara Municipal que não se ultrapassou o limite legalmente estabelecido, os 60%. Porém, se juntarmos aos 6,8 milhões de despesas com pessoal, as despesas com a aquisição de serviços, 5,1 milhões, obtemos o valor de 11,9 milhões que corresponde a 52,9% das receitas correntes do ano anterior, valor muito próximo do limite. Saliente-se, por outro lado, o valor elevado da aquisição de serviços (estudos, projectos e trabalhos especializados) no montante de 5,1 milhões de Euros a merecer uma melhor atenção no sentido da sua redução. Não estamos aqui perante muitas “gorduras” ? Não é possível executar estudos e projectos com o pessoal ao serviço da autarquia? Faltam engenheiros, arquitectos, economistas, juristas e outros técnicos superiores de outras áreas na autarquia? Na área da cultura apresenta a Câmara Municipal um valor próximo de 1,3 milhões de euros. Deduzindo-se a este valor a despesa com o teatro municipal, as festividades e as feiras restam 453 577 euros correspondente a 2,6% da despesa corrente. No Desporto, se retirarmos as despesas de capital, em actividade desportivas e apoios às actividades desportivas, obtém-se um valor de 2% da despesa corrente. Os números que se apresentam são a prova e a confirmação de que a cultura e o desporto não são, de facto, prioridades desta Câmara Municipal. Acresce, ainda, a necessidade de se conhecer se os 4 % acima referidos foram ou não despesas realizadas na promoção das actividades e na fruição cultural e desportiva pela população. Esta dúvida persiste quando se registam as acções e os montantes gastos mas…não se identifica, não se faz a descrição da acção. Porquê a necessidade de tal secretismo? As contas não devem ser claras e transparentes? Nos objectivos relativos à acção social, à saúde, saneamento e salubridade, protecção civil , desenvolvimento económico, defesa do meio ambiente e apoio à agricultura salienta-se a execução medíocre e a insignificância das verbas dispendidas que, em cada objectivo referido, não ultrapassa o 1% do total da despesa. Na Habitação e urbanismo verifica-se que das 33 acções, em cerca de 50% (16) não houve qualquer montante executado ou aparecem com montante residual. O valor executado resulta de trabalhos de reparação, conservação e transferências para as Juntas de Freguesia. Na área das comunicações e transportes, objectivo com mais peso no total da despesa, 14,7%, também encontramos taxas de execução muito baixas. Das 36 acções, em cerca de 50% (16) não houve qualquer montante executado ou aparecem com montante residual. Quanto aos resultados verificamos um agravamento da ruptura financeira que a gestão PSD tarda a perceber Em 2011 os resultados operacionais foram negativos (2.905.463,60) que somados aos resultados desde 2003 obtemos resultados operacionais negativos acumulados de 11.001.893,1. Os resultados financeiros foram negativos (1.303.349,81) que somados aos resultados desde 2003 obtemos resultados financeiros negativos acumulados de 15.653.718,81. Os resultados correntes foram negativos (4.208.813,41) que somados aos resultados desde 2003 obtemos resultados correntes negativos acumulados de 26.208.813,41 O resultado de exercício foi negativo (4.781.342,60) que somados aos resultados desde 2003 obtemos resultados de exercício negativos acumulados de 45.537.371,46. Estamos a descapitalizar a Câmara Municipal e a hipotecar o seu funcionamento futuro. Saliente-se que os resultados de exercício negativos acumulados dos últimos nove anos (2003 a 2011) já ultrapassam o total das receitas de 2011 atingindo os 128%. Serviço da dívida O serviço da dívida representou 9,7% do total das despesas, 13,8% das receitas correntes e 45,2% das despesas com pessoal As dívidas de curto prazo e médio e longo prazo baixaram mantendo-se mesmo assim demasiado elevadas, (9.116.758,24) e (75.268.418,45), respectivamente. Não consegui identificar nos documentos os “ outros devedores” no valor de 8.058.184,47 como disponibilidade da Câmara Municipal para cobrir as dívidas a curto prazo. Assim, coerentes com o exposto confirmado pela realidade dos números e não concordando com as opções e prioridades da acção desenvolvida pelo executivo de maioria PSD iremos votar contra a conta de gerência Os eleitos do PCP

segunda-feira, 30 de abril de 2012

25 de Abril Sempre!









No Tortosendo houve comemorações do 25 de Abril

 
A Comissão de Fregueia de Tortosendo do PCP organizou uma FESTA POPULAR para comemorar o 38º ÁNIVERSÁRIO  da REEVOLUÇÃO do 25 de Abril de 1974, data em que foi derrubada a DITADURA  FASCISTA de Salazar e Caetano.

Durante todo o dia choveu, choveu muito mas ... muitos, muitos tortosendenses compareceram na Escola EB de Tortosendo para evocar e comemorar esta data.

Foi bonito de ver o Grupo "Balão Mágico", a animação musical do duo " Renascer", os Bombos da Casa do Povo do Paúl e porque as condições atmosféricas não o permitiram, as actividades desportivas foram canceladas, mas o convívio, em manifesta camaradagem e amizade, reafirmou que o espírito do 25 DE ABRIL está bem presente nos tortosendenses.
As fotos acima dão uma pequena ilustração das comemorações.  



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012